Nesta semana, lançamos a maior atualização da história do Blink. Os pagamentos com Bitcoin também continuaram se consolidando em todos os lugares — comunidades no Quênia estão pagando salários em sats, o BTCPay Server transformou qualquer balcão em um terminal de pagamento por aproximação e uma economia local registrou 517 transações reais. O aplicativo do dia a dia está amadurecendo.
O Blink agora é sem custódia — suas chaves, seu bitcoin, o mesmo aplicativo: as contas sem custódia já estão disponíveis no iOS e no Android. O que permanece igual: seu endereço Lightning, seus códigos QR, pagamentos instantâneos e seu saldo em dólares. O que muda: você recebe uma frase de recuperação de 12 palavras e mantém suas próprias chaves — o que também significa que não podemos recuperar seus fundos caso você os perca. Após seis anos de desenvolvimento, isso resolve o dilema mais antigo dos pagamentos em bitcoin: você não precisa mais escolher entre a autocustódia e um aplicativo que simplesmente funciona.
Nos bastidores, as contas sem custódia da Blink são alimentadas pelo SDK da Breez — a mesma infraestrutura que permite que pagamentos tão pequenos quanto um único sat sejam liquidados instantaneamente, enquanto os usuários mantêm as chaves. A Breez deu as boas-vindas à Blink ao SDK nesta semana.
Em destaque: O BTCPay Server transforma qualquer balcão em um ponto de pagamento por aproximação
O BTCPay Server (@BtcpayServer) apresentou o Terminal, um novo plug-in criado por @MrKukks que permite aos comerciantes criar adesivos NFC estáticos para pontos de venda. Os clientes pagam com um simples toque — “Sem necessidade de escanear. Sem carteiras digitais. Sem precisar passar o dispositivo pelo leitor.” Os restaurantes podem até mesmo colocar adesivos nas mesas para que os clientes paguem diretamente de seus lugares, com as faturas geradas dinamicamente a partir da configuração estática.
O pagamento presencial sempre foi o ponto mais complicado do Lightning: códigos QR, foco da câmera, troca de dispositivos. Substituir tudo isso por um simples toque — mantendo a compatibilidade com carteiras comuns — elimina o verdadeiro atrito no caixa.
1) Adoção por comerciantes e empresas
Os sinais mais fortes do setor de comércio nesta semana não vieram de lojas isoladas — vieram de redes de pagamentos comunitárias inteiras, nas quais as pessoas ganham e gastam na mesma moeda.
- Quênia — uma comunidade que vive de Bitcoin: a Bitcoin Chama (@Bitcoinchama) informou que 30 lojas em sua comunidade agora aceitam Bitcoin, 8 pessoas recebem salário em Bitcoin e mais de 60 membros ganham diretamente com seus projetos — colmeias, avicultura, fazendas e criação de cabras, tudo convertido em sats. Os salários, somados aos comerciantes, são um indicador muito mais forte de gastos locais recorrentes do que a simples aceitação da moeda.
- Quênia — categorias do dia a dia, gastos cotidianos: a BitBiashara (@BitBiashara) registrou pagamentos em Bitcoin no salão de cabeleireiro Bliss, na praça de alimentação Haven, na loja de fraldas Anselim e na loja de artigos diversos Richland — produtos de higiene pessoal, alimentos prontos, utensílios domésticos e mantimentos, todos mapeados no BTC Map. Essa variedade mostra o uso do Bitcoin no varejo do dia a dia, e não apenas em um único estabelecimento de destaque.
- Moçambique — Maputo entra no mapa: a Bitcoin Famba (@BitcoinFamba) mapeou um novo estabelecimento comercial em Maputo e mostrou um ex-aluno da Trezor Academy comprando uma pulseira em sats. Um estabelecimento mapeado, somado a uma compra concluída, representa o uso real em ponto de venda em um mercado emergente.
2) Infraestrutura de pagamento
Além dos holofotes voltados para a NFC, a infraestrutura avançou em duas frentes: facilitando a localização dos comerciantes e redefinindo quem administra a parte de back-end do Lightning.
- A Voltage encerra o serviço de autoatendimento — começa o prazo para migração: A Voltage (@voltage_cloud) anunciou que está descontinuando seu produto de autoatendimento para se concentrar na infraestrutura Lightning de nível empresarial. Os usuários do BTCPay Server que dependiam desse serviço têm até 31 de agosto de 2026 para migrar — seja por meio da implantação autônoma, seguindo a documentação do BTCPay, ou mudando para uma opção hospedada do BTCPay. Vale lembrar que a continuidade da pilha de pagamentos agora inclui o planejamento do provedor de infraestrutura.
- O BTCPay adiciona o envio direto de informações ao BTC Map: um novo plugin permite que os comerciantes enviem a localização de suas lojas físicas por meio do BTCPay e sejam automaticamente listados no BTC Map — preenchendo a lacuna entre aceitar Bitcoin e tornar-se visível para as pessoas que desejam gastá-lo.
- O comércio baseado em agentes continua se expandindo: a Lightning Enable (@lightningenable) informou que seu relé de agentes agora oferece 99 eventos de funcionalidade ativos, incluindo mais de 65 listagens de serviços de terceiros, que podem ser localizados por meio de consultas padrão ao relé Nostr, em vez de um diretório central — máquinas que utilizam a mesma infraestrutura Lightning que as pessoas.
3) Economia circular e evidências concretas
As evidências concretas desta semana vieram acompanhadas de números — e de café.
- Quênia — 517 transações, 4 milhões de sats: O Bitcoin Babies (@BtcBabies) relatou 517 transações e quase 4 milhões de sats circulando na economia local do Quênia em apenas 6 meses, utilizando campanhas de descontos direcionadas para tornar o Bitcoin a forma mais barata de comprar produtos de uso diário. Dados de transações raros e concretos provenientes de uma economia de base.
- Quênia — táxis, bifes e café queniano: o Tando (@tando_me) mostrou como usar bitcoin para pagar táxis, bifes, bebidas e “uma quantidade vergonhosa de café queniano” — com @JosefTetek usando qualquer carteira Lightning junto com o Tando para fazer compras em estabelecimentos locais.
- El Salvador — um mercado onde os preços são fixados em sats: a Bitcoin Berlin SV (@BitcoinBerlinSV) abriu o Feira de Berlin (4 a 5 de julho) para vendedores que desejam definir os preços e vender seus produtos em Bitcoin — um mercado com vários vendedores, e não apenas uma única barraca.
- Venezuela — pagamentos como ajuda humanitária: A MOTIV Perú (@MotivPeru) informou que as doações em Bitcoin para ajuda às vítimas do terremoto estão financiando 250 refeições servidas diariamente, além de kits de higiene e limpeza, distribuídos diretamente por meio de QR code, sem intermediários. A rapidez e a rapidez direta do Bitcoin são exatamente o que mais importa neste caso.
4) Regulamentação e políticas
Uma linha de ação da África do Sul continuou a se desenvolver.
- África do Sul — criptomoedas no contexto transfronteiriço: Nick Darlington (@NickDarlington) afirmou que o projeto de regulamentação sobre gestão de fluxos de capital da África do Sul classificaria, pela primeira vez, os ativos criptográficos ao lado do dinheiro e do ouro no que diz respeito aos fluxos monetários transfronteiriços — apesar de uma decisão do Tribunal Superior, de maio de 2025, que determinou que as regras atuais não se aplicam às criptomoedas. Trata-se de um projeto de regulamentação, e não de uma lei já promulgada, mas isso indica que, à medida que a presença das criptomoedas no setor de pagamentos cresce, o tratamento transfronteiriro influenciará cada vez mais a forma como esses canais são implantados.
Essa foi a nossa semana — seis anos de trabalho por trás de uma única frase: suas chaves, seu bitcoin, o mesmo aplicativo. Mas a história por trás disso vai além de qualquer carteira específica. Desde salários pagos em sats no Quênia até um balcão de pagamento por aproximação em qualquer lugar do mundo, o bitcoin está, discretamente, se tornando dinheiro comum. Até a próxima semana.