Esta foi uma semana dedicada à autocustódia — o direito de manter seus próprios bitcoins sob sua própria custódia. A Bull Bitcoin obteve uma licença MiCA na França sem abrir mão desse direito. As comunidades de bitcoin da África do Sul estão lutando contra um projeto de regulamentação que as visaria, mesmo com seis delas construindo prósperas economias circulares. A Bolívia alcançou todos os seus nove departamentos. E, discretamente, a autocustódia está chegando ao Blink.
África do Sul — aceitação com liquidação em rand e seis economias circulares: A MoneyBadger (@MoneyBadgerPay) afirmou que os comerciantes podem aceitar Bitcoin das carteiras dos clientes, tanto na loja física quanto online, e receber a liquidação em rand, sem precisar lidar diretamente com a criptomoeda — separando assim a aceitação voltada para o cliente da gestão de caixa. Ao mesmo tempo, a Bitcoin Ekasi (@BitcoinEkasi) citou seis economias circulares de Bitcoin em funcionamento na África do Sul, onde sats reais já estão circulando entre as pessoas: BitcoinWitsand, BitcoinKaroo, BitcoinLoxion, BitcoinPlett, BTCSedgefield e Bitcoin Ekasi. Um conjunto de locais de consumo e usuários recorrentes é um sinal de meio de troca muito mais forte do que qualquer anúncio feito por um único comerciante.
Em destaque: Bull Bitcoin obtém certificação MiCA — a autocustódia permanece intacta
A Bull Bitcoin (@francispouliot_) informou que obteve uma licença MiCA na França, permitindo que usuários em todos os Estados-membros da UE continuem utilizando sua plataforma de câmbio e serviços de pagamento em bitcoin “legalmente, sem qualquer interrupção ou redução no serviço”. O ponto mais relevante é o que não mudou: a Bull Bitcoin afirmou que manteve intactas sua abordagem de autocustódia e privacidade e foi aprovada nas auditorias de segurança cibernética PASSI e DORA sem terceirizar sua infraestrutura central de Bitcoin.
Isso vai além de uma única empresa. É uma prova concreta de que o licenciamento na era da MiCA pode coexistir com a autocustódia e a infraestrutura interna de Bitcoin — de que a conformidade com as normas da UE não precisa significar entregar suas chaves a terceiros.
1) Adoção por comerciantes e empresas
Além da África do Sul, as notícias do mundo dos negócios nesta semana variaram desde a Bolívia alcançando cobertura nacional até um safári de balão no Quênia e uma escola em Uganda que funciona inteiramente com Bitcoin.
- Bolívia — todos os departamentos já aceitam Bitcoin: a Bitcoin Research Bolivia (@bitcoinr3) informou que a cobertura do BTC Map no país atingiu 134 locais que aceitam Bitcoin e, após um novo registro em Chuquisaca, todos os 9 departamentos contam agora com pelo menos um estabelecimento que aceita a moeda — um aumento em relação aos não mais do que 33 locais registrados um ano antes. A Bolívia passou de um aglomerado concentrado em La Paz para uma cobertura genuinamente nacional.
- Quênia — A Kilimanjaro Balloon Safaris aceita Bitcoin: os clientes podem reservar passeios de balão em Amboseli e pagar diretamente em bitcoin, ou usar o Tando (@tando_me) para fazer a mesma reserva. O turismo é uma categoria de serviços de maior valor agregado, que amplia os gastos muito além do varejo de baixo valor.
- Quênia — o agrupamento Tena Estate: A BitBiashara (@BitBiashara) informou que sua economia circular Tena Estate, em Nairóbi, conta com 19 comerciantes e mais de 30 usuários ativos que ganham, gastam e economizam em sats, tendo como ponto de referência um centro comunitário físico. A presença de comerciantes, usuários ativos e um centro comunitário em um único bairro é um indicador mais significativo do que listagens dispersas.
- Uganda — uma escola funciona com Bitcoin: a Starlight School (@BitcoinKampala) informou que automatizou todos os pagamentos utilizando a infraestrutura do Bitcoin, reduzindo as operações a uma única autorização por mês. Trata-se do uso do Bitcoin dentro de um fluxo de trabalho institucional estabelecido, e não de uma demonstração pontual.
2) Infraestrutura de pagamento
As melhorias na infraestrutura realizadas nesta semana resolveram problemas reais no setor de varejo — reembolsos, plug-ins de comércio eletrônico e liquidação do transporte ferroviário local.
- MoneyBadger — Reembolsos via Lightning, resolvidos: como os reembolsos via Lightning são iniciados pelo remetente, o MoneyBadger (@MoneyBadgerPay) agora captura o endereço Lightning do pagador no momento da finalização da compra, armazena-o junto com a transação e o utiliza quando é necessário fazer um reembolso. A coleta é opcional até 31 de agosto e passará a ser obrigatória a partir de 1º de setembro de 2026 para os comerciantes afetados. Devoluções e cancelamentos são um requisito básico do varejo — isso elimina uma das lacunas operacionais do Lightning no ponto de venda.
- BTCPay Server — Jumpseller e Lightspeed: O BTCPay Server (@BtcpayServer) informou que os comerciantes nas lojas virtuais da Jumpseller agora podem aceitar Bitcoin e apresentou um plug-in para o Lightspeed que integra o Bitcoin e a rede Lightning diretamente ao ponto de venda do Lightspeed Retail. Mais duas plataformas — uma online e outra física — passam a contar com integração nativa com o Bitcoin.
- Quênia — Ark Node combina Bitcoin com M-PESA: No Bitcoin Nairobi, Noelyne Sumba apresentou o Ark Node, desenvolvido com base no Bitcoin e no M-PESA (@GorillaSats), como prova de que a inovação africana pode resolver os desafios de pagamento do continente — uma infraestrutura construída em torno dos hábitos locais existentes, em vez de substituí-los.
- Mavapay — Lightning como meio de liquidação transfronteiriça: A Mavapay (@mavapay) afirmou que sua infraestrutura utiliza a rede Lightning para liquidação em tempo real, sem a ineficiência de capital dos modelos pré-financiados, e revelou que está se preparando para anunciar o suporte a novos países e continentes.
- O comércio por meio de agentes entra em operação: a Lightning Enable (@lightningenable) informou que os agentes de IA agora podem comprar produtos físicos reais via Lightning de comerciantes específicos, incluindo greatghee.com e drinksote.com — “Não é uma demonstração. Agentes reais, pagamentos reais, produtos reais.”
3) Regulamentação e política
A notícia regulatória da semana é um exemplo de contraste: na Europa, uma licença que preservou a custódia própria; na África do Sul, um projeto de regulamentação que poderia proibi-la.
- França / UE — Licença MiCA da Bull Bitcoin (veja o destaque): prova concreta de que a conformidade com as normas da UE para serviços de pagamento pode coexistir com a autocustódia e a infraestrutura interna de Bitcoin.
- África do Sul — a luta para proteger a autocustódia: o projeto de regulamentação sobre gestão de fluxos de capital da África do Sul está sendo contestado por quem usa Bitcoin no dia a dia. No podcast de Stephan Livera (@stephanlivera), Ricki Allardice, do Property Rights Defense Group (@PRDG_ZA), apresentou argumentos contra o projeto de regulamentação que restringiria a autocustódia de Bitcoin. O grupo está organizando uma resposta formal e aceitando apoio no site propertyrightsdefense.org. Trata-se da mesma pressão regulatória descrita na semana passada por um comerciante sul-africano de panquecas — que agora encontra uma defesa organizada.
4) Economia Circular e Provas Práticas
As histórias da galera nesta semana variaram de um projeto de construção financiado com Bitcoin a 17 dias de vida sem moeda fiduciária e um dia recorde no Tando.
- Zona rural do Quênia — duas cabanas construídas com Bitcoin: A Bitcoin Chama (@Bitcoinchama) informou que Jusper construiu duas cabanas de bambu em dois meses, utilizando exclusivamente pagamentos em bitcoin para o transporte de motocicleta, mão de obra e a maioria dos materiais, recorrendo ao Tando apenas nos casos em que o bitcoin não estava disponível. O significado está na amplitude: o Bitcoin foi utilizado em várias contrapartes e categorias de insumos em um único projeto, e não apenas em uma única transação de pagamento.
- Nairóbi — 17 dias sem moeda fiduciária: Um usuário relatou ter passado 17 dias em Nairóbi sem usar moeda fiduciária nenhuma vez (@waithiraah), pagando exclusivamente com Bitcoin Lightning via Tando. Prova viva de que a rede é prática para gastos contínuos no mundo real.
- Quênia — Tando bate recorde diário: a Tando (@tando_me) anunciou um novo recorde histórico de transações processadas em um único dia, embora não tenha divulgado o número exato.
- Kibera — um dia de conferência dedicado aos gastos: a AfribitKibera (@AfribitKibera) está organizando o “Bitcoin Circular Economy Day” no âmbito da conferência Bitcoin Nairobi, dedicando um dia inteiro ao uso efetivo do Bitcoin na comunidade. Os gastos em escala comunitária serão o foco principal do programa, e não apenas uma demonstração secundária.
- O trabalho de campo continua: na Bolívia, a Bitcoin Research Bolivia (@bitcoinr3) está distribuindo panfletos do BTC Map de porta em porta — pagos em Bitcoin. No Peru, a MOTIV Peru (@MotivPeru) informou que os artesãos de Huanchaco agora aceitam Bitcoin, ampliando a adoção para o comércio local de artesanato.
Mais uma coisa. A custódia autônoma está chegando ao Blink. Ela já está disponível como Blink 3.0.1 na Zapstore, a loja de aplicativos nativa do Nostr, enquanto aguardamos a aprovação da Play Store e da App Store. Demos uma prévia discreta disso esta semana — para os curiosos, as pistas estão aqui. O direito de manter seus próprios bitcoins vale a pena ser defendido e vale a pena ser construído. Até a próxima semana.