A Square acaba de transformar o Bitcoin em uma opção no processo de finalização de compra. Os comerciantes podem ativar os pagamentos em Bitcoin no Square Register sem a necessidade de novo treinamento da equipe — uma opção simples e prática dentro de um fluxo de finalização de compra que milhões de empresas já utilizam. Enquanto isso, o protocolo Ark liquidou sua primeira transação envolvendo café de verdade no Quênia, os pagamentos em Bitcoin chegaram a duas das maiores redes de pagamentos da África e da Ásia, e uma vendedora de panquecas da África do Sul questionou por que poupar em Bitcoin a torna uma criminosa.
Square Register — O Bitcoin agora é uma opção no processo de finalização da compra: a Square (@Square) informou que os comerciantes podem habilitar pagamentos em Bitcoin no Square Register por meio de uma opção no processo de finalização da compra, sem a necessidade de novo treinamento da equipe. Essa funcionalidade é apresentada como uma adição de baixo atrito ao fluxo de finalização de compra já existente — e é exatamente assim que a aceitação generalizada do Bitcoin se expande: não substituindo o ponto de venda, mas adicionando uma opção a ele. A região de implementação não foi especificada no anúncio.
Em destaque: Quênia — A Ark realiza sua primeira transação de café de verdade
Poucos dias após entrar em operação na mainnet, o protocolo Ark pagou uma xícara de café no Quênia. Tando (@tando_me) destacou um pagamento real feito com o Ark em condições reais, e o relato do usuário explicou o funcionamento: o VTXO gasto foi rastreado até uma transação completa no bloco 953022, transações pré-assinadas foram trocadas atomicamente para Tando, e o VTXO foi mantido localmente no celular, em vez de em um serviço remoto.
Isso é importante porque faz com que o Ark passe do estágio de anúncio para o de comprovação. Um novo protocolo de pagamento só se torna real quando alguém compra algo com ele — e agora isso já aconteceu. A mesma equipe da Tando criou a ponte entre o Ark e o M-PESA no btcplusplus de Nairóbi, conectando essa rede à camada de pagamentos voltada para o mercado de massa do Quênia.
1) Adoção por comerciantes e empresas
Além do Square, os destaques entre os comerciantes nesta semana variaram de um aeroporto na Zâmbia a uma barraca à beira da estrada que praticava preços de seus alimentos diretamente em sats — além de um aumento significativo no número de comerciantes mapeados.
- Quênia — um vendedor de rua define preços em sats: A conta Bitcoin Babies (@BtcBabies) mostrou George Karago, um vendedor de barraca à beira da estrada, definindo os preços de salsichas defumadas e ovos em sats e aceitando Bitcoin, com uma listagem no BTC Map e um endereço Blink. Definir os preços dos próprios produtos em sats é um sinal mais forte de que se trata de um meio de troca do que uma placa genérica dizendo “Aceita-se Bitcoin” — o Bitcoin está presente no preço exibido ao cliente, não apenas na etapa de pagamento.
- Zâmbia — Bitcoin no aeroporto: Uma postagem de Livingstone mostrou uma placa com os dizeres “Aceitamos Bitcoin aqui” no Aeroporto Internacional Harry Mwanga Nkumbula (@BitcoinVicFalls). A aceitação no aeroporto coloca os pagamentos com Bitcoin em um ambiente de viagem de grande visibilidade, indo além das lojas de bairro.
- BTC Map — 204 novos comerciantes líquidos: O BTC Map (@btcmap) registrou 204 novos comerciantes líquidos no último mês, com os EUA liderando a atividade. Um aumento concreto na presença física para sustentar o crescimento do número de comerciantes nesta semana.
2) Infraestrutura de pagamento
A notícia sobre infraestrutura desta semana tratou do alcance: os canais de pagamento em Bitcoin se conectando às maiores redes de pagamento existentes no Quênia e nas Filipinas.
- Quênia — A ponte entre o Ark e o M-PESA da Tando: Tando (@matthewvuk2) informou que os usuários podem enviar bitcoins via Ark para um número de telefone queniano, sendo que o destinatário recebe xelins quenianos instantaneamente pelo M-PESA, sem nenhuma taxa de roteamento — e afirmou que essa implementação torna 52 milhões de quenianos acessíveis no Ark. A integração foi desenvolvida em um dia na btcplusplus de Nairóbi, após um encontro com Matthew Vukovic, da Second. Entrada por transferência nativa de bitcoin, saída por meio de pagamento local familiar.
- Filipinas — A rede Lightning chega ao GCash: Uma atualização citada (@pete_rizzo_) informou que os pagamentos em Bitcoin pela rede Lightning agora podem chegar ao GCash, o maior aplicativo de fintech do país, com 94 milhões de usuários. Esse é o maior número de distribuição mencionado nos materiais desta semana e o primeiro indício de mercado de massa na Ásia-Pacífico apresentado neste resumo. Trata-se de alcance em uma rede já existente, e não de 94 milhões de usuários ativos de Bitcoin — mas o público-alvo potencial é enorme.
- Rede principal do Ark + BTCPay: A integração do BTCPay Server da Second (@coinjoined) permite que os comerciantes aceitem pagamentos via Lightning, recebam fundos na forma de VTXOs, os armazenem localmente e os retirem na cadeia quando quiserem — sem canais e sem necessidade de gerenciamento de liquidez de entrada.
- Lançamento do LND v0.21: Esta versão (@lightning) adicionou mensagens Onion, canais Taproot simples e SQL nativo para consultas e inicialização mais rápidas. Uma observação para os operadores: Nicolas Dorier (@NicolasDorier) informou que os pagamentos pull do BTCPay Server não estão funcionando corretamente no LND 0.21, com uma correção prevista para o BTCPay v2.4.0 — verifique a compatibilidade das versões antes de atualizar.
- As ferramentas L402 ultrapassam 20 mil downloads: a Lightning Enable (@lightningenable) informou que seu MCP Server, cliente HTTP e Agent SDK ultrapassaram 20 mil downloads, todos voltados para pagamentos L402 Lightning para APIs e agentes.
3) Regulamentação e política
O projeto de regulamentação da África do Sul já está causando impacto na menor escala possível — entre os comerciantes que realmente utilizam o Bitcoin.
- África do Sul — “Eu só vendo panquecas”: uma pequena empresária que aceita Bitcoin na venda de panquecas afirmou que novas propostas de regulamentação visam comerciantes que aceitam e guardam Bitcoin, e alegou que as regras poderiam forçar a liquidação de seus ativos em Bitcoin (@BitcoinEkasi). Suas palavras: “Eu só vendo panquecas. Por que sou considerada criminosa por guardar dinheiro? Eu trabalho duro. Ganho Bitcoin. Guardo. Esse é o meu futuro.” Essa é a interpretação de uma comerciante sobre as regras em projeto, e não sobre uma lei já aprovada — mas mostra que a proposta de regulamentação está causando impacto além da simples aceitação, afetando as vendas, ao restringir o que as empresas podem fazer com o Bitcoin que ganham.
4) Economia Circular e Provas Práticas
Os relatos da base nesta semana abrangeram desde pagamentos recorrentes de folha de pagamento transfronteiriços até um mês de aulas no “Dia da Pizza” e metas estruturadas de integração de novos funcionários em Cuba.
- Pagamentos recorrentes — US$ 240 todos os domingos: A Bitcoin Babies (@BtcBabies) informou que envia US$ 240 todos os domingos para equipes no Quênia, Burundi e Paquistão, sem nenhuma taxa e com liquidação em segundos, dando crédito à Tando por tornar esse fluxo viável na prática. Trata-se de um ciclo operacional recorrente de pagamentos, não de uma demonstração.
- Moçambique — Mês do Dia da Pizza: A Bitcoin Famba (@BitcoinFamba) comemorou o Dia da Pizza do Bitcoin ao longo de três sábados em maio, combinando as aulas da TrezorAcademy com pagamentos reais no La Casa Moz — os alunos pagaram por suas próprias pizzas no almoço em sats após cada sessão. Três aulas, três sessões de pagamento: educação aliada ao uso contínuo.
- Cuba — integração com metas: A La IslaBTC (@laislabtc24) lançou o programa “Carrera Educativa”, com o objetivo de integrar 21 empresas e fazer com que mais de 100 pessoas passem a usar o Bitcoin para poupança, pagamentos e comércio, com o primeiro encontro marcado para 26 de junho. Trata-se de um processo de integração estruturado com metas explícitas, e não de um evento pontual.
- América Latina — novos comerciantes urbanos: a MOTIV Peru (@MotivPeru) informou que o Nando’s Caffe, em Miraflores, Lima, agora aceita Bitcoin, enquanto a Bitcoindominicana (@btcdominicana) está realizando uma campanha de captação de comerciantes em restaurantes, hotéis, cafeterias e barbearias na República Dominicana.
O Bitcoin se tornou uma opção de pagamento no Square, uma xícara de café no Ark e uma forma de pagamento acessível a dezenas de milhões de pessoas por meio do GCash e do M-PESA. Ao mesmo tempo, uma vendedora de panquecas questiona por que guardar essa moeda a torna uma criminosa. As facilidades continuam aumentando — e as questões ficam cada vez mais sérias. Até a próxima semana.